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Por que as pessoas odeiam política, mas não conseguem ficar longe dela?
Existe uma contradição que me fascina há anos: a mesma pessoa que declara "não gosto de falar de política" é, muitas vezes, quem fala de política com mais ardor. E não digo isso com julgamento, digo com curiosidade genuína. O que acontece com as pessoas para que precisem se distanciar verbalmente de algo que, na prática, não conseguem largar?

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O medo como combustível político: quem se beneficia quando o eleitor tem medo?
O medo é o combustível político mais barato e mais eficaz que existe. Mais barato do que propostas bem elaboradas, que exigem estudo, consistência e a coragem de se comprometer com algo verificável. Mais eficaz do que projetos de esperança, que precisam de tempo para convencer e são fáceis de desacreditar. O medo funciona imediatamente, no sistema límbico, antes de qualquer análise racional. E uma vez instalado, é difícil de desfazer.

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Por que as pessoas odeiam política, mas não conseguem ficar longe dela?
Existe uma contradição que me fascina há anos: a mesma pessoa que declara "não gosto de falar de política" é, muitas vezes, quem fala de política com mais ardor. E não digo isso com julgamento, digo com curiosidade genuína. O que acontece com as pessoas para que precisem se distanciar verbalmente de algo que, na prática, não conseguem largar?

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Autenticidade não é estratégia
O político autêntico é igual com e sem público. O mesmo gesto, o mesmo olhar, a mesma atenção dispensada ao cidadão que o para na rua e ao líder que ele precisa impressionar.
O político que performa é detectado pela inconsistência. Quando a câmera aponta, o sorriso aparece. Quando a câmera abaixa, some. Com apoiadores, é caloroso; com assessores, é outro. Essa inconsistência não é invisível. O eleitor a sente, mesmo sem conseguir nomeá-la.

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