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A primeira eleição que me lembro da vida foi em 1978, eu ainda criança, recolhia santinhos na rua e os organizava como um álbum de figurinhas, sempre buscando os que não tinha. Garimpava o meu bairro "coletando" aquelas peças de um jogo que eu ainda não entendia completamente, mas que já me fascinava.

Em 1982, minha professora da quarta série concorreu a vereadora de Porto Alegre. Com apenas 12 anos, andava pelo bairro distribuindo santinhos e colando cartazes nos postes. Não era militância calculada, era paixão por algo que eu não sabia ainda nomear direito.

Com o passar do tempo, já reconhecia grande parte dos políticos. Quando comecei minha militância no movimento estudantil e passei a frequentar os espaços de poder, conseguia identificá-los com facilidade.

 

A participação política e a carreira de fotojornalista, especialmente o período em que tive o privilégio de acompanhar Leonel Brizola, me levaram a percorrer o Rio Grande do Sul de ponta a ponta, interagindo com lideranças de todas as regiões do estado. Foi a melhor formação política que poderia ter recebido.

Fui repórter fotográfico por mais de duas décadas. Cobri eleições, manifestações, crises, cotidiano, e aprendi que a câmera, quando usada com honestidade, não distorce: revela. Aprendi também a desconfiar das próprias certezas, porque sei como um mesmo evento pode parecer diferente dependendo de onde o fotógrafo está posicionado.

Sou licenciado em História, e a História ensina que os fatos raramente são simples. Os contextos, quase sempre, são tudo.

Nesses mais de 40 anos, vi muitas lideranças que reuniam as condições de chegar ao poder e realizar um bom trabalho serem derrotadas nas eleições. Muitas vezes, não por falta de capacidade, mas por não dominarem as peculiaridades do jogo político.

A legislação se modifica com frequência, e essas modificações são elaboradas exatamente pelos políticos que estão no poder. Infelizmente, eles raramente criam regras que facilitem o acesso de novos quadros. Em geral, as mudanças visam a manutenção deles próprios.

 

A Constituição de 1988 tentou trazer equidade à nossa jovem democracia, mas emendas, regulamentações e legislações paralelas acabam por perpetuar oligarquias.

Em um jogo tão peculiar e específico, fica difícil para quem apenas participava da política como eleitor jogar com reais chances de vitória. Algumas pessoas conseguem se adaptar. Mas muitas, literalmente, são devoradas pelo sistema. São usadas pelos partidos, investem seu patrimônio pessoal e profissional, se prejudicam, recebem punições por não seguirem a legislação, multas, mandatos cassados e acabam frustradas em seus desejos genuínos de contribuir com a sociedade.

Vi candidatos e candidatas muito capacitados e bem-intencionados se frustrarem por receber votações muito abaixo de suas expectativas, sendo ludibriados por "cabos eleitorais profissionais" que faziam promessas de votos que não tinham, consumindo seu tempo e dinheiro.

A política, assim como a vida, tem suas armadilhas. E é preciso muito cuidado. Ao mesmo tempo, ela é encantadora, e faz com que facilmente nos apaixonemos por sua dinâmica.

Foi pensando nessas pessoas que criei a Tabuleiro Político. Para contribuir com essa caminhada, evitando que pessoas capacitadas e qualificadas se frustrem ou sejam prejudicadas.

Muitas vezes não conseguimos os objetivos na primeira eleição. A maioria só alcança o objetivo após mais de uma tentativa, mas se a primeira experiência for muito prejudicial, as pessoas sequer se dão uma segunda ou terceira chance.

 

Algumas vezes, ter um mandato não é o único caminho para realizar os objetivos de contribuir socialmente. Ocupar uma função no executivo, compor uma equipe parlamentar , pode ser o caminho de muitas pessoas que chegam na política como candidatos, mas se encontram e são felizes em outras funções.

A Tabuleiro Político pretende contribuir com a renovação política, auxiliando no ingresso de novas lideranças nos mais diversos setores da vida política.

É possível fazer política com alegria, respeito, planejamento e organização. É possível fazer uma comunicação assertiva, positiva e construtiva. Mas, principalmente, é possível aprender a jogar esse jogo, ter prazer em jogar e se orgulhar da trajetória.

É para isso que existimos.

Serginho Neglia - Idealizador

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